quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

carta à sra. consciência, último andar, nos suburbios de uma cabeça oca

"querida consciência,
já fiz o que me disseste. levei o amor à tosquia (dá sempre jeito), aparei as pontas da arrogância, guardei a saudade numa caixa por cima do frasco agora vazio onde tinha guardado o sonho.

logo à noite vou sair e levo a sinceridade comigo. espero que os meus amigos gostem dela.

os inimigos não iriam gostar, mas como já matei o ódio, não tenho cá desses. fui à dispensa buscar arroz e encontrei la caído o meu rancor.
esse deixo-o por lá.

a minha mãe ofereceu-me mais carinho pelo natal, e vou guarda-lo juntamente com o que já la tenho. o meu professor de filosofia diz que nós só damos o que recebemos. se algo nos perturba, transmitimos esse mau ambiente aos outros, que por conseguinte nos transmitem a nós. basicamente colhemos o que semeamos. ele chama-lhe o karma.

por isso vou dar muito carinho, e quem sabe talvez receba a dobrar.

PS: devia ir comprar alguma sanidade, porque a minha está a esgotar-se. mas sinto-me bem sem ela"

1 comentário:

Nuno Gonçalo disse...

este é basicamente o momento em que quero dizer palavras que acompanhem a genialidade do texto, mas torna-se assaz difícil e provavelmente acabarei por me ficar por um singelo, mas nao menos sentido, "wow!".
Sim, definitivamente a sanidade não faz grande falta, a loucura é a voz da arte.
beijo*

Post Scriptum: Ansioso por ver os tais poemas sobre DST's.