quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

para de me perseguir. onde quer que vá, todos os rostos genéricos se moldam no teu, todas as vozes pairam semelhantes à tua pelos meus ouvidos, todas as mensagens gritam o teu nome, todos os toques na campainha avisam uma chegada que nunca virá. a tua. todas as fotos nossas me fitam com olhares discriminatórios, todas as músicas me lembram uma última dança. pára, vai-te embora do meu pensamento. sai dos meus desenhos, das minhas memórias. se não tens força para avançar por cima do teu orgulho não tens força para aguentar nada, não és nada. não passas de uma face genérica como todas as outras, que chegam e se vão embora no minuto, que ninguém decora a cara. porque hoje todos nós vivemos por nossa conta não nos limitamos sequer a olhar para a cara genérica ao nosso lado, saber quem acabou de nos dar um leve encontrão no ombro ao passar. ninguém vê. ninguém olha. ninguém percebe sequer o que se está a passar. é assim. deixa estar assim, se é isso que queres. faz-te um dos vários esboços de desenho que rasguei, ou que guardei. faz-te cada palavra do que te escrevo.

torna-te um contra censo: tortura-me com palavras doces.

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