foge! não me deixes apanhar-te!
eu bem tento escapar ao desejo a que o meu corpo obedece. sou impelida, eu bem tento deixar de pensar mas está sempre cá. as imagens passam rapidamente como flashes, e aí sinto-me rendida. nao há nada a fazer. foge.
escapa das minhas mãos como água, corre para longe de mim para nunca mais voltar. grita bem alto que não me queres falar, nem sequer me ver.
aí, a raiva em mim fervilha e cega-me em tons de cinzento chuvoso, enquanto sinto o quente ar a ser expelido das narinas, e vapor de agua pela atmosfera. a minha cara ruboriza. as minhas mãos apertam os joelhos com força, as unhas contra a carne, não há nada a fazer. esconde-te.
não queres sentir aquilo que é o meu calor. não me deixarás agarrar o teu pescoço, não deixarás que eu te crave os dedos na pele, na ânsia de a arrancar de ti, enquanto te faço saber o que é a dor de não ter, de não poder, de não sentir.
suspiro. sei que um dia vais entender que não há presa nem predador. empalideço. até lá quererás aproximar-te, mas, com medo da dor fingir que não existe aquele desejo de te arrancar a pele com os dedos. puxar-te a orelha à dentada. magoar-te, para saberes que não só estás vivo como dás vida a outra pessoa. dás vida, tiras esperança. és um grande nada.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
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